Acelbra-MS no Campo Grande News
Veja a matéria publicada no Campo Grande News, em 23/05/2008, sob o título: Intolerância alimentar coloca em risco saúde e o "bolso"
Intolerância alimentar coloca em risco saúde e o "bolso"
Por Aline dos Santos - Campo Grande News
Macarrão, massa para bolo e chocolate. Apesar de simples, Elda Regina Leite Galvão de Ávila, foi nesta sexta-feira a dois supermercados e não conseguiu encontrar os itens da lista de compras. O produto há, mas nenhum traz a expressão “não contém glúten”, passaporte para os celíacos (pessoas que têm intolerância a proteína presente no trigo, aveia, centeio e cevada) se alimentarem sem sobressaltos.
Elda, que preside a Acelbra/MS (Associação dos Celíacos do Brasil), alerta que muitas pessoas desconhecem que possuem a doença celíaca. “O diagnóstico é muito demorado. Tem pessoa que convivia com sintomas desde criança, mas demorou 20 anos para ter o diagnóstico”, exemplifica.
Nutricionista, ela ressalta que a comunidade médica ainda encara a intolerância ao glúten como última possibilidade para justificar sintomas como vômito, diarréia e perda de peso. “Ainda permanece a noção de que a doença celíaca é algo raro. Novas pesquisas mostram que a incidência é alta”, salienta. O diagnóstico vem por meio de exame de sangue e biópsia do intestino.
Para Marina Ortega de Paula Lins e Silva, de 10 anos, a confirmação da doença celíaca aconteceu aos dois anos, mas os sintomas começaram aos seis meses. “Ela passava mal e não engordava. Depois, além de não ganhar, começou a perder peso”, recorda a fonoaudióloga Rita de Cássia, mãe de Marina.
Em busca de uma solução, pois o problema já colocava em risco a vida do bebê, a família deixou o interior de Mato Grosso e se mudou para Campo Grande. Contudo, a doença celíaca só foi constatada por uma médica em São Paulo. À garota, a demora no diagnóstico resultou no desenvolvimento de outros tipos de intolerância alimentar.
Comer, comer - Após ter ciência do problema, os celíacos se deparam com outro desafio: se alimentar. A indústria alimentícia prefere caminhar na contramão, e, em vez de aumentar a produção, opta por diminuir a oferta dos produtos sem glúten, o que acarreta preços salgados. Um pacote de macarrão, por exemplo, custa R$ 12,50.
“A Marina adora chocolate e no ano passado havia três marcas de ovo Páscoa que podia comprar. Neste ano, os ovos já vieram sem a inscrição não contém glúten”, ilustra. Para que a inscrição tenha validade, é preciso que a máquina seja específica para a fabricação de produtos sem glúten. Caso contrário, o alimento é “contaminado”. “Não é uma questão de quantidade, mas a simples presença do trigo”, salienta Rita de Cássia.
Nos últimos dias, o rol de alimentos preferidos de Marina sofreu uma nova baixa: o achocolatado com o qual prepara brigadeiro, agora, tem glúten. A dieta restritiva pode resultar até mesmo em depressão, afinal comida, além de nutrição, está relacionada ao compartilhamento. “As pessoas pensam que não é tão difícil, porque tem arroz, feijão, carne, verdura. Mas o lado social fica apagado”, endossa Elda Regina Ávila, presidente da Acelbra.
Pizza de pão de queijo – Como comer uma pizza com massa tradicional está fora de cogitação, Wellington Villa Nova, de 23 anos, busca se adaptar. “Já testei outras receitas. Mas a que fica melhor é a pizza com massa de pão de queijo”, destaca. Para os que compartilham o problema, ele sugere as receitas do site www.acelbrams.org.br
No próximo domingo, dia 25, a Acelbra promove uma macarronada beneficente no Barracão dos Amigos, localizado na rua Hemenergildo Pereira, 433, Vila Nova Bandeirantes. A entrada custa R$ 10. O almoço traz no cardápio macarrão sem glúten e seis tipos de molhos.



